Olá.
Me desculpe a simplicidade do cumprimento, mas eu confesso que fiquei meio receosa de como deveria me referir a você: simplesmente Montillo, seu nome de família, Walter, seu nome para os íntimos, ou ainda, sua alcunha, “pirata azul”? De qualquer forma, quero que saiba que minha admiração pelos três é a mesma, logo não fará muita diferença a maneira como vou me referir a você durante essa carta. Quero apenas que você leia com cuidado e carinho, pois vem diretamente de um coração que é azul-celeste desde que pulsou pelo primeiro segundo e que encheu os pulmões de ar pela primeira vez. Eu até diria, Walter, que esse coração anda bastante aflito, mas acho que eu seria no mínimo fútil ao falar dessa maneira justamente com você. O meu time, meu glorioso Cruzeiro corre risco de rebaixamento inédito e passa por uma série de dificuldades técnicas; mas por mais que o meu coração aperte toda vez que eu pense nisso, eu me envergonho por falar tal coisa diante da sua aflição de pai.

Eu imagino o sentimento de ver o meu filho, de apenas um ano e sete meses, sendo sedado e operado, lutando como um adulto pela vida, a cada vez que seu pequeno corpinho é invadido pelo bisturi e pelos instrumentos médicos. Imagino como teu coração bate rápido a cada vez que ele fecha os olhinhos e se afasta de você; você, então, chora e reza em silêncio, para que Deus lhe conceda a graça de poder vê-lo novamente, pegá-lo em seus braços e ver seu sorrisinho largo, enquanto olha para você. Imagino como você aguarda suas primeiras palavras, seu primeiro dia na escola… e o que passa em tua cabeça e o que sente teu coração a cada vez que tem que entregar a vida do teu

Santino nas mãos de pessoas que você mal conhece, mas precisa confiar que vão fazer o melhor por ele. E mesmo assim, no meio dessa profunda tristeza que abate teu coração de pai, você ainda encontra espaço para me ajudar com a minha angústia, ou melhor, com a angústia de oito milhões de corações azuis espalhados por aí afora.
Com tua alma dolorida

e abatida, você vai a campo defender as cores do NOSSO Cruzeiro como um leão. Você ignora a tua própria dor, engole a vontade de chorar e luta até o fim. Isso vai muito além de trabalho, dinheiro, ou algo do gênero. Isso se chama ser HUMANO. E é exatamente isso o que você é.
Por isso, Walter, quero que você saiba que um pênalti é muito pouco para abater o que sentimos por alguém que abafa a dor lancinante de ter um filho correndo risco de vida para tentar curar a nossa.
E chore, chore porque ninguém precisa carregar tamanha carga nas

costas. Antes de ser o Montillo craque do Cruzeiro, você é o Walter, o pai do Santino, e, sobretudo, é UM SER HUMANO que não nasceu com o dom da perfeição, assim como qualquer um de nós. Logo, chore, Walter. Teu coração dolorido merece uma trégua, um descanso e um minuto sem a redoma da perfeição.
Obrigada, Walter Damián Montillo, por defender as cores do meu celeste como poucos já fizeram. Que o teu filho cresça e possa sentir o mesmo orgulho que eu sinto a cada vez que você entra em campo com as cinco estrelas reluzindo do lado esquerdo do teu peito.
#AguanteMontillo! #FuerzaSantino!
#CruzeiroSempre