segunda-feira, 17 de outubro de 2011
“É, meu anjo, cansa. Dói nos nervos essa vida banza. Os pés fadigam de rodar por uma avenida infinita e quanto mais os sapatos se acabam, mais a rua não parece ter fim. É gente demais, preocupação, celular tocando, dinheiro faltando. Para quê? Para no fim sermos enterrados na mesma terra barata? Esse corre e corre, essa agonia. Não cabe a mim, não cabe a nós. Por isso olho tanto para o céu, é límpido e vazio. No máximo habitado por andorinhas e estrelas bonitas. Vez por outra aparece um pássaro de metal, porém eles voam rápido, meu bem. Então, contempla esse mar de luzinhas pequeninas e joga-me nele. Não quero viver somente de concreto e paredes. Liberdade, é o que me chama. Quero que os ventos passem leve pelos meus lábios, juntos aos teus. Quero a noite carregando nossas roupas e o dia nos bronzeando. Quero ir longe, bem longe. Onde não possa enxergar o estresse humano. Então, abre tuas asas e voa comigo? O céu nos chama.”