sábado, 2 de fevereiro de 2013
''Nós ainda temos tanta coisa inacabada. Muitos trechos perdidos, guardados… Aquela velha vontade de recomeçar. Aliás, de continuar. Fazer diferente, tentar diferente. Mas ei, o que foi mesmo que aconteceu com os nossos passos? Quem tropeçou primeiro? Eu ou você? Os dois juntos? Com certeza não. Eu olho e vejo um caminho tão estreito, vai ver a gente não cabia nele. Ou cabia. E você fazia por onde eu me mantivesse fora da estrada, fora dos seus trilhos, fora de você. Eu não sei porque diabos você não me empurrava, me jogava, me libertava de uma vez! Ao contrário… Você prendia-me cada vez mais nessas suas caminhadas. E eu louca inconsequente tentava me segurar nos rastros de esperança que você deixava pelo chão. Eu tentava florescer, enquanto você jogava-me a terra de seus sapatos, enquanto você tirava-me a vida. Ou pior, os sentimentos. Eu cai. Desisti. Mudei de caminho. Agora, você me aparece. Como quem nada quer. Ou tudo quer. Tentando trazer-me de volta para a sua estrada. Tentando florescer-me, reerguer-me. Eu não entendo… Desperdicei todas as minhas sementes naquele passado que era nosso. Esvaziei. Sequei. Não mais sentia. E por pura obra do acaso, me vejo brotando novamente. Mas dessa vez, com a sua ajuda. Porque estamos caminhando lado a lado.''