sábado, 29 de dezembro de 2012

Eu me sei meu bem



A fatalidade da condenação por eu ser assim - tão oculta, tão fechada, tão obscura. A certeza de que minha dor abstrata é concreta e de que no interior minhas feras choram. Sozinhas. Encolhidas. Com os dentes à mostra. Prontas para fugir e prontas para atacar, como sempre pronta estou.

O ponto pulsante, a marca pungente, a quebra do pingente trazido no pescoço com o peso de uma vida inteira e com a cor de todo o sangue já derramado por minhas mãos. Não é verdade quando digo que só a mim eu firo, ou então você não esqueceria os olhos em cima dos meus com toda essa tristeza por me ver insana. A minha loucura te atinge e tinge de vermelho a tua tez, não tinge? É que você me vê muito dentro, muito fundo, muito na essência. É que você me desbrava e descobre, e toca em partes jamais tocadas. É que você gosta de um perigo … Ou então não soltaria as amarras da minha camisa de força. Eu quase te peço perdão. Sabia? Quase te peço perdão. É que no fundo quem segura a faca, quem destrava a pistola, quem solta das costas o para-quedas sou eu.

É questão de aceitar-se. E eu me sei, meu bem, eu me sei.

Há muito me condenei, há muito cerro as grades dessa cela. E há muito deixei o sentido para quem entende de razões. Eu só jogo as incógnitas e vomito os monstros escondidos em mim para depois apanhar todo esse lixo animal (porque eu sou animalesca até no suor) e enfiar os restos goela abaixo, sem fazer questão de solução