sábado, 29 de dezembro de 2012



Vagalumes não vem cantar durante o dia e o vento não assopra mais nos nossos ouvidos as palavras doces (ou ardentes) de outros dias. Dias esses, aliás, que você aqueceu a cama, que o colo não era vago e o custo não era alto. Fazíamos uns improvisos de viver, era bonito, pense bem.
Quase estamos estampados em quadros de outras paredes coloridas (não somos sempre preto e branco). Quase somos a mais bela canção que aquele saxofonista ouviu e aprendeu a tocar. Quase somos o café quente na cama. Esses romantismos nunca foram próprios de nós dois, pois somos acuados demais entre as quatro paredes do amor. De carne sempre entendemos. De amor passamos longe. Quase fomos amor, inclusive.
E de quase em quase nossos detalhes incluíam aqueles vagalumes, nossas noites eram de luar fosse qual fosse o tamanho da lua. Nosso passo era calmo como quem não tem a obrigação de ligar no dia seguinte. Mas entre um “deixa pra depois” e um longo beijo na bochecha para disfarçar entre a multidão, urgência. Éramos urgentes e não falamos.

Quem apaga nosso peito em chamas agora? Quem cancela nossa conta no inferno? Quem abre uma portinha que nos faça deparar com o acaso outra vez? Tudo sem querer para não dizerem que é por querer.

A hora, baby, já foi. E não importa a ordem da frase.