quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Só não chore meu bem ...




Só não chore no começo, por favor.
Eu sou uma bagunça, um caos. Eu não temo coisa alguma, mas corro quando alguma luz se acende. Ah se você pudesse ver alguma coisa nos meus olhos além das galáxias que carrego…
Fiquei a noite toda esperando a chuva. Eu costumava esperar a chuva deitada na cama, mas essa noite eu quis ficar na janela. Tudo mudou. Desajeitei, machuquei. Não reconheço minhas pernas. Que caminhos inventei tão perfeitamente? Caminhos tão tortos, cheios de atalhos, sujos, arranhados, fora dos mapas. Não reconheço meus caminhos no mapa que criei. Não posso mais voltar.
Se eu te contasse dos choros que tenho quando sua mão treme, você enxergaria diferente? Se eu te contasse dos olhares que evitei, você sentiria menos medo? Se eu te contasse que tenho pavor de vômitos, mas enfio o dedo na garganta sempre que você vai embora, você ficaria? Ah, é quase uma auto-destruição, uma arma apontada para a cabeça. Uma arma apontada para mim e trezentas gramas de sorriso em cada olho. Se você percebesse que sou eu quem guarda a faca. Você sabe?
Mas não chore no começo, não arranque os curativos. O filme só ta começando, meia dúzia de mortes nos cinco primeiros minutos, mas por favor, não chore. Eu tenho pavor do barulho que existe dentro das salas de cinema, mas eu fico com você no meio desse tiroteio. Eu sei, são tantos tiros em tão pouco tempo mas, por favor, não chore no começo ...