domingo, 13 de janeiro de 2013
Eu me viro como posso. Às vezes, quase sinto o inominável ceder. Às vezes, quase sei do que há. Às vezes, quase olho com os olhos além.
O às vezes é uma distância muito particular, querido.
É como aquela dor na nuca cuja vermelhidão você nunca vê. Sentida. Porém jamais vista. O que sente-se e não se vê, nem nomenclatura alguma se dá é verídico? O que só faz eco e não mostra o seu marco original é real? Ou a história só aceita o que é palpável? O que é provado? Provável, provável…
Eu choro porque estou bem condenada, olha-me e veja o tanto de neblina que sou e só. Eu choro porque minha dor é também sua, é também daquela garota que passou por mim e manteve os olhos grudados no chão, é também daquele pássaro que morreu a dois metros de chegar no ninho. O que é que minha mão alcança? A quem é que minha palavra chega?
Montes e montes e montes de sacos de carne.
Nunca o saco certo.
Bem assim, querido, eu ando numa tragédia sem sentido. Drama barato que ninguém curte no cinema. Droga-simulacro que não serve pra viciar alguém. Fruta azeda. Bicho morto. Águia cega.
Eu ando escapada.
Eu ando escapando.
Eu ando escorrendo e ecoando sem que ninguém sinta ou preocupe-se em sentir. Nem eu.