Sou o céu mas também sou o poço, sou o que ha de mais nobre mas também tô pela sarjeta com a alma suja de lama e com cheiro de álcool. Mas também tem cheiro de flor, alecrim e serenidade. Essa mistura louca é tão eu que se um dia deixar de ser assim vou ter uma dor de cabeça infinita e uma saudade do tamanho do pacifico dentro do peito. Saudade de mim que vai arder como quando se pisa do asfalto quente, quando engole duma vez o café fervendo. Como quando se tem que esquecer um amor por obrigação - quase se ama sem poder. Eu sou o poço quando eu amo assim, eu sou o céu também. e vou de um ao outro numa fração de segundo que me deixa louca, que me deixa tonta. Eu sou a sarjeta quando só tenho a mim e cheiro de passado impregnado nos pelos. E o alecrim quando acordo fazendo poesia do vento e do sorriso sincero do porteiro.
Eu vivo nesse porre que não me deixa enxergar ou sentir direito. Eu vivo a flor da pele e nem não aprendi ainda a sentir. A amar. Eu não amo nada mas, quero abraçar o mundo com meus bracinhos. Não alcanço.
Eu sou a independência do coração que se ama sem ter aprendido amar, eu ficaria comigo pelo resto da vida. Me aceitaria se eu fosse mais rasa, mais fácil. Mas eu sou o céu, eu sou o poço. Sem fundo. Sem fim.